segunda-feira, 6 de julho de 2009

Os Dragões, sob o olhar católico



Para a Igreja Católica, os dragões são considerados como seres bestiais, os mensageiros do mal e do caos. Esse olhar negativo e depreciativo veio se perpetuando desde a Era Medieval, período em que a Igreja Católica era "A Detentora do Saber", tendo o monopólio do conhecimento, pouco estimulando o saber crítico e científico e exautando os dogmas religiosos como verdades absolutas. Segundo o Antigo Testamento, tais seres, tipificados como serpentes aladas, são oficialmente decretados como "inimigos do povo de Deus", dando um caráter mitológico para ele como a "serpente do mal".

De acordo o "Livro de Jó", em seus vescículos 18 a 21, o dragão pode ser retratado da seguinte maneira:


"18 Os seus espirros fazem resplandecer a luz, e os
seus olhos são como as pestanas da alva;
19 Da sua boca saem tochas; faíscas de fogo saltam dela;
20 Dos seus narizes procede fumaça, como de uma panela
que ferve, e de juncos que ardem;
21 O seu hálito faz incender os carvões, e da sua boca
sai uma chama;"

(Jó, 41:18-21 apud Wikipédia)


Também para Jó, Leviatã era considerado como um dragão bíblico, vulgarmente chamado como "a serpente cuspidora de fogo", sendo associado a ação maldosa e cruel, características fundamentais da representação do mal e da destruição.

Já em Isaías (30:6), o dragão é taxado como “áspide ardente voador”, onde juntamente com outros animais deveria ser rechaçado do paraíso, buscando fazer uma metáfora que depressiasse os israelitas, em detrimento dos cristãos. Tal contexto sombrio e maléfico também foi absorvido pelo Novo Testamento, associando o dragão à figura de Satanás.

Dentro da liturgia e cultura cristã, o principal representante cristão que combateu veementemente os dragões, as criaturas das trevas que se deliciava devorando as virgens indefesas e, por isso, deveriam pagar com a própria vida, em nome da fé, foi São Jorge¹. Reza a lenda cristã, em uma de suas versões, baseada em contos medievais, destaca que a saga do "caçador de dragões" foi assim:



"Baladas medievais contam que Jorge era filho de Lorde Albert de Coventry. Sua mãe morreu ao dá-lo à luz e o recém nascido Jorge foi roubado pela Dama do Bosque para que pudesse, mais tarde, fazer proezas com suas armas. O corpo de Jorge possuia três marcas: um dragão em seu peito, uma jarreira em volta de uma das pernas e uma cruz vermelho-sangue em seu braço. Ao crescer e adquirir a idade adulta, ele primeiro lutou contra os sarracenos e, depois de viajar durante muitos meses por terra e mar, foi para Syle´n, uma cidade da Líbia.

Nesta cidade, Jorge encontrou um pobre eremita que lhe disse que toda a cidade estava em sofrimento, pois lá existia um enorme dragão cujo hálito venenoso podia matar toda uma cidade, e cuja pele não poderia ser perfurada nem por lança e nem por espada. O eremita lhe disse que todos os dias o dragão exigia o sacrifício de uma bela donzela e que todas as meninas da cidade haviam sido mortas, só restando a filha do rei, Sabra, que seria sacrificada no dia seguinte ou dada em casamento ao campeão que matasse o dragão.


Casamento de São Jorge e Sabra


Ao ouvir a história, Jorge ficou determinado em salvar a princesa. Ele passou a noite na cabana do eremita e quando amanheceu partiu para o vale onde o dragão morava. Ao chegar lá, viu um pequeno cortejo de mulheres lideradas por uma bela moça vestindo trajes de pura seda árabe. Era a princesa, que estava sendo conduzida pelas mulheres para o local do sacrifício. São Jorge se colocou na frente das mulheres com seu cavalo e, com bravas palavras, convenceu a princesa a voltar para casa.

O dragão, ao ver Jorge, sai de sua caverna, rosnando tão alto quanto o som de trovões. Mas Jorge não sente medo e enterra sua lança na garganta do monstro, matando-o. Como o rei do Marrocos e do Egito não queria ver sua filha casada com um cristão, envia São Jorge para a Pérsia e ordena que seus homens o matem. Jorge se livra do perigo e leva Sabra para a Inglaterra, onde se casa e vive feliz com ela até o dia de sua morte, na cidade de Coventry."

(Wikipédia)


Assim como São Jorge, São Miguel Arcanjo, "o chefe dos Exércitos Celestiais", também travou a sua luta contra os dragões. Segundo Nelim Monti, São Miguel Arcanjo:




Relâmpagos, raios, coriscos, trovão...
Confusão...o mais horrível dia,
Noite, tempestade brava
Fogo e ar se equivocava
Terra e ar se confundia.

O mar espumava, o vento zunia.
Noite e dia se misturava
Estrondo terrível, assustava
Céu e Terra estremecia, abalava.

Do centro da Terra
Até os mais altos rochedos
Sentia o tremor das nuvens e penedos.
No céu se via, ameaçadores riscos
Estrondos , assombros , medos

Grande batalha travada no céu...
São Miguel e seu Exército Celestial
Guerreava contra o Dragão.
Derrotados anjos e Dragão
Jogados foram aqui na Terra, no nosso chão.

A Terra escureceu,
Virou um mar de lamas
Com Satanás o sedutor do mundo.
Joio no meio do trigo
Dissemina a semente
Da desobediência, depravação.


A fábula de São Jorge também influenciou os contos de fadas infantis, ao exemplo da Bela Adormecida, onde o corajoso Príncipe Encantado tinha que salvar a princesa das guarras do malvado e cinistro dragão.




Nesse sentido, o olhar católico sobre os dragões simboliza a dicotomia entre o Bem e o Mal, onde os dragões fazem parte do exército de Lúcifer, por oposição aos anjos do exército de Deus.


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1. São Jorge é o santo patrono da Inglaterra, Portugal, Geórgia, Catalunha, Lituânia, da cidade de Moscou e, extra-oficialmente, da cidade do Rio de Janeiro (título oficialmente atribuído a São Sebastião), além de ser padroeiro dos escoteiros e do S.C Corinthians Paulista. No dia 23 de Abril comemora-se seu martírio. Ele também é lembrado no dia 3 de novembro, quando, por toda parte, se comemora a reconstrução da igreja dedicada a ele, em Lida (Israel), onde se encontram suas relíquias, erguida a mando do imperador romano Constantino I. Há uma tradição que aponta o ano 303 como ano da sua morte. Apesar de sua história se basear em documentos lendários e apócrifos (decreto gelasiano do Século VI), a devoção a São Jorge se espalhou por todo o mundo. A devoção a São Jorge pode ter também suas origens na mitologia nórdica, pela figura de Sigurd, o caçador de dragões (Fonte: Wikipédia).

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